Tibet: de uma teocracia escravista à libertação socialista, por Elias Jabbour

Tibet: de uma teocracia escravista à libertação socialista, por Elias Jabbour

por Elias Jabbour

Este ano é comemorado os 70 anos da “libertação pacífica” do Tibet. Tratou-se, sim, de um processo de libertação, pois tratou-se de um momento em que uma região inteira do país se viu liberada do jugo de uma verdadeira teocracia escravista, onde – por exemplo – as mulheres não tinham direito de ir à escola ou universidade, e abriu-se caminho à construção de uma sociedade baseada em princípios socialistas, reintegrada à pátria chinesa e longe da interferência das potências imperialistas.

O momento atual é muito importante para respondermos a uma série de questões, inclusive as relacionadas aos interesses do imperialismo sobre o Tibet. Um interesse que não tem nenhuma relação com a defesa da “democracia” e dos “direitos humanos”. Antes de falarmos sobre o gigantesco progresso social e humano tibetano, é importante tecermos comentários de ordem estratégica com a finalidade de demonstrar os reais interesses do imperialismo no Tibet.

Vistas dos subúrbios a oeste de Lhasa na década de 1960 (vista superior, foto de Lan Zhigui) e em 9 de agosto de 2021 (parte inferior, foto de Purbu Zhaxi).

Do ponto de vista geopolítico a localização geográfica do Tibet é de alta relevância estratégica. A região mais elevada do mundo é fundamental na ligação da China com o sul da Ásia e Xinjiang. Faz fronteira com a Índia, Nepal, Butão e Myanmar. Ponto privilegiado para lançamento de foguetes e mísseis e algo ainda mais sensível: o controle sobre o Tibet tem relação direta com o suprimento de água de toda a China. No planalto tibetano nascem os mais importantes rios da Ásia (rios Amarelo, Yangtsé, Mekong, Indo e Ganges).

Apesar de fazer parte da China há mais de 700 anos, dada sua localização estratégica, não é coincidência que, entre os séculos VII e XX, mongóis, indianos e ingleses tentaram deter o controle da região. E já entre o final da 2ª Guerra Mundial (1945) e a fundação da República Popular da China (1949) os EUA deram continuidade às campanhas financiadas pela Inglaterra visando a separação do Tibet da China. Diante dessas condições era dever do governo popular instalado em 1949 a retomada imediata do controle sobre o planalto tibetano, promovendo a reunificação do país e gerando condições para sua maior segurança estratégica.

Em 1951 encerra-se o processo de libertação do Tibet. As reformas democráticas visando a distribuição de terras entre camponesas, a libertação das mulheres e a separação entre Estado e religião foi iniciada, mas não sem conflitos. Entre 1956 e 1959 grupos separatistas armados e treinados pela CIA promoveram ataques a tropas do governo central e prédios públicos. Fracassada a tentativa de restauração da teocracia escravista, em 1959 o Dalai Lama exilou-se na Índia. Exemplo da libertação de servos e escravos fica um símbolo importante: dos 301 delegados que formaram a 1ª Assembleia Regional do Tibet em 1965, 226 eram tibetanos, sendo a maioria servos e escravos emancipados.

Desde então os progressos humanos e sociais no Tibet são inegáveis e impressionantes. Em 1959 o PIB da Região Autônoma do Tibet era de 174 milhões de yuans, alcançando 190 bilhões de yuans, em 2020. Em 2020 seu crescimento econômico foi de 7,8%. Este desempenho econômico é traduzido em ampla melhoria das condições de vida do povo tibetano. Em 1951, 95% da população tibetana era analfabeta. Em 2015, 99% da população entre 15 e 60 anos de idade estava alfabetizada. Impulsionada pela construção de linhas de transporte, como a ferrovia Qinghai-Tibet e uma ampla estrutura de estradas, a constituição econômica da região tem sido transformada rapidamente. Em 1959, a agricultura respondia por cerca de 70% da atividade econômica, caindo para apenas 7% em 2020.

A expectativa de vida de um cidadão tibetano em 1951 era de 35,5 anos. Em 2019 alcançou 71,1 anos. A taxa de mortalidade materna no Tibet diminuiu para 48 por cada 100 mil nascimentos, e a taxa de mortalidade infantil diminuiu para 7,6 por mil.

Existe um largo caminho a ser percorrido ao pleno progresso humano e social no Tibet. A libertação pacífica é uma construção histórica. Que o mundo saiba que a defesa de um “Tibet independente” significa a defesa de um regime teocrático e escravista. O socialismo salvou a China. O socialismo salvou o Tibet!

Redação