Trabalhadores domésticos e seu futuro incerto em tempos de pandemia, mais de 70% são informais

Trabalhadores domésticos e seu futuro incerto em tempos de pandemia, mais de 70% são informais

São mais de 6,3 milhões de trabalhadores domésticos em todo país, segundo o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, feito no final de 2019. Desse total, mais de 73% são informais, um número alarmante de mais de 4,5 milhões de pessoas em todo País.

As histórias são diversas e tanto para trabalhadores, quanto empregadores, a situação com a pandemia do coronavírus é incerta.

A diarista Jacineide Lima trabalha nesse ramo há três anos e disse que nunca havia passado por uma crise como a que está passando. “Tem sido muito difícil, principalmente porque não trabalho de carteira assinada. Devido eu ser diarista, antes dessa pandemia eu sempre tive diárias fixa, mas agora eu diminui a frequência nos locais que trabalhava toda semana, agora estou indo às vezes de 15 em 15 dias”.

Apesar do medo da contaminação, ela explica que sempre toma os devidos cuidados. “Vou trabalhar com máscara e sempre uso luvas”. Ela faz parte do grande número de informais, que não podem parar de trabalhar e que, sem ajuda do poder público, precisa continuar a garantir o sustento da sua família.

Carteira assinada

Um total de 1,7 milhões de trabalhadores domésticos têm a carteira assinada, mas a situação é de preocupação para quem trabalha e está em casa e para quem precisa dos serviços na condução diária do lar.

Na casa da jornalista Socorro Loureiro, patroa de Édina Marques, a rotina mudou consideravelmente, mas ela afirma que tem conseguido conciliar a limpeza da casa com as tarefas profissionais, e contando com o apoio do marido. “Estamos fazendo todo o trabalho doméstico, ainda bem que meu marido é aposentado e divide as tarefas comigo. Ele limpa a casa e lava a louça e eu cozinho, lavo e passo as roupas”.

Para segurança de ambas, Socorro teve que liberar sua funcionaria, seguindo as medidas de isolamento. Até então a jornalista vem mantendo o salário de Édina, mas alega não saber até quando isso será possível. Parte do pagamento da empregada doméstica está funcionando como adiantamento de suas férias.

Para Édina a situação é ainda mais tensa, ela afirma que caso fique sem emprego, não sabe o que fazer, tendo em vista que esse trabalho é a única renda de sua família. “Estou muito preocupada sobre como vou me manter, dependo só desse salário, não sei como vou pagar as minhas contas se a situação não melhorar”.

Na casa de Édina três pessoas são dependentes de sua renda e como diversos brasileiros e brasileiras, não sabem como vai ser o futuro de seus empregos com o avanço do coronavírus. A orientação da Organização Mundial de Saúde – OMS, é para que todos fiquem em casa enquanto a pandemia não é controlada, mas para Édina, para Socorro, Jacineide e tantas outras pessoas que trabalham e empregam no campo doméstico, o futuro é incerto.

“Eu estou preocupada. Não consegui o auxílio emergencial do governo, tenho que colocar comida na mesa e hoje o trabalho é uma incerteza”, finalizou Édina.

Matéria elaborada por: Weslene Rocha, Wanda Citó e Fábio Coêlho

Foto: Antonio Cruz/EBC

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